
Safra de Soja 2025/2026 no Mato Grosso do Sul: expansão de área, desafios climáticos e projeção de crescimento.
Safra de Soja 2025/2026 no Mato Grosso do Sul: expansão de área, desafios climáticos e projeção de crescimento.
O Mato Grosso do Sul vive uma das safras de soja mais relevantes de sua história. O ciclo 2025/2026 combina expansão de área, ganhos tecnológicos e uma recuperação produtiva importante em relação ao ano anterior — ainda que o clima tenha imposto desafios pontuais ao longo do ciclo.
A área destinada ao cultivo de soja no estado chegou a 4,79 milhões de hectares, crescimento de 5,9% em relação à safra passada.
Com isso, a produção estimada é de 15,2 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare, segundo dados do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS.
Em comparação com a safra 2024/2025, o aumento projetado é de aproximadamente 14% no volume colhido — um dos maiores crescimentos proporcionais entre os estados produtores do país.
Com esse desempenho, Mato Grosso do Sul deve ocupar a quinta posição no ranking nacional de produção de soja, respondendo por cerca de 7,6% da produção brasileira de grãos.
Impacto do clima: o principal ponto de atenção da safra
Apesar do início de ciclo favorável, os meses de janeiro e fevereiro trouxeram preocupação para parte dos produtores.
Veranicos severos e temperaturas elevadas, especialmente na região sul do estado, afetaram o desenvolvimento das lavouras justamente em fases críticas da cultura.
Segundo levantamentos da Aprosoja/MS, mais de 640 mil hectares foram impactados por períodos de estiagem superiores a 20 dias.
Os municípios mais afetados incluem Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai.
Como consequência, a estimativa inicial de produtividade foi revisada para baixo em algumas regiões, estabilizando em torno de 48 sacas por hectare nas áreas mais atingidas.
Já nas regiões Norte e Nordeste do estado, as condições climáticas permaneceram mais favoráveis durante grande parte do ciclo.
Colheita avança e influencia diretamente o milho safrinha
A colheita da soja 2025/2026 avançou de forma consistente ao longo de março.
Segundo o SIGA-MS, aproximadamente 82% da área já havia sido colhida até o final do mês.
A região sul lidera o ritmo, seguida pelas regiões centro e norte do estado.
Esse avanço é estratégico porque define diretamente a janela de plantio do milho segunda safra — o chamado milho safrinha.
Até meados de março, cerca de 1,8 milhão de hectares já haviam sido semeados com milho.
A estimativa atual para a safrinha é de 11,1 milhões de toneladas, com produtividade média de 84,2 sacas por hectare.
Comercialização segue mais cautelosa
Mesmo com o aumento da produção, o ritmo de comercialização da soja em Mato Grosso do Sul está mais conservador nesta safra.
Segundo a Aprosoja/MS, o preço médio ponderado da safra 2025/2026 ficou em torno de R$ 115,46 por saca até o final de fevereiro.
O cenário reflete uma combinação de fatores: produção elevada, expectativa de safra recorde no Brasil e incertezas no mercado internacional.
De acordo com a Agroconsult, a safra brasileira de soja deve atingir 184,7 milhões de toneladas em 2025/2026 — um novo recorde histórico.
Diesel pressiona os custos da produção
Um dos fatores que mais preocupa o produtor nesta safra é o aumento do custo operacional, especialmente relacionado ao diesel.
O combustível é essencial tanto para a operação das máquinas agrícolas quanto para o transporte da produção até armazéns e portos.
O cenário internacional elevou o barril do petróleo Brent para próximo de US$ 100, pressionando toda a cadeia de combustíveis.
Em março de 2026, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 por litro.
Mesmo com medidas do governo federal para tentar reduzir o impacto, produtores do Centro-Oeste relatam aumento expressivo nos custos logísticos e operacionais.
Em algumas regiões, o litro do diesel chegou a superar R$ 9,50.
Segundo a Aprosoja/MS, o custo de produção da soja no estado foi estimado em R$ 6.115,83 por hectare.
Com receita bruta estimada em torno de R$ 6.360,00 por hectare, a margem operacional projetada fica próxima de apenas 2%.
Na prática, isso significa que qualquer nova alta no diesel pode transformar uma operação positiva em prejuízo.
Pontos de atenção para o produtor
Armazenagem e logística:
Com o aumento da produção e a simultaneidade entre colheita e plantio da safrinha, o planejamento logístico se tornou ainda mais importante.
Comercialização estratégica:
Estratégias de travas parciais, contratos futuros e análise de basis regional continuam sendo ferramentas importantes para gestão do risco de preço.
Gestão do combustível:
Negociar contratos de fornecimento com antecedência e monitorar o consumo operacional pode fazer diferença significativa no resultado final da safra.
Monitoramento climático:
O desempenho do milho safrinha ainda depende diretamente das condições climáticas de abril e maio.
Conclusão
A safra de soja 2025/2026 reafirma o protagonismo de Mato Grosso do Sul na agricultura brasileira.
O estado combina expansão de área, adoção tecnológica e recuperação produtiva, mesmo diante dos desafios climáticos e da pressão crescente dos custos operacionais.
Para o produtor, o momento exige atenção técnica e estratégica em todas as etapas — do campo ao mercado.
Fontes: Aprosoja/MS (Projeto SIGA-MS e Boletim de Custos de Produção 2025/26), Conab (4º Levantamento de Grãos 2025/26), IBGE (LSPA), Agroconsult (Rally da Safra 2025/2026), Agência Brasil, Famato e Semadesc-MS.
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